Fortalecimento do educador de museus

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Este tópico contém 39 respostas, 20 vozes e foi atualizado pela última vez por  Mailine Bahia 5 anos, 5 meses atrás.

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  • 14/01/2013 em 18:20 #712
    moinhosocial
    moinhosocial
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    Garantir profissionais formados no núcleo do atendimento as escolas. Sem com isso excluir a participação dos estagiários. Há de se ter profissionais formados em nível superior com formação ampla com capacitação na área de educação.

    15/01/2013 em 10:33 #713
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
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    Bom dia, pessoal!

    Até agora, extraí algumas proposições para composição do Programa Nacional de Educação Museal (PNEM) do nosso tópico “Fortalecimento do Educador de Museus” que seguem abaixo.

    Peço que vocês não só avaliem o que listei, mas também pensem em outros aspectos e proposições ainda não mencionados, mas que têm relação com esse tópico.

    Abraços!

    Incentivar as universidades que disponham de cursos de Licenciatura nas diversas áreas, cursos de Museologia e cursos de Artes (Teatro, Música, Dança, Visuais) a apresentarem os museus como área de trabalho e espaço pedagógico – museu sob uma perspectiva educativa e educadora.

    LEGITIMAÇÃO DO CAMPO NO ÂMBITO DAS UNIVERSIDADES: abertura de um campo específico de pesquisa; articulação com a extensão universitária e com a docência; comunicação científica na área; criação de pós-graduação em Educação Museal; museus e demais instituições culturais como possibilidade de espaços para cumprimento de estágio obrigatório (estágio supervisionado) – articulação institucional UNIVERSIDADES X INSTITUIÇÕES CULTURAIS.

    Regulamentação da profissão dos educadores em museus, discutindo o campo de formação e atribuições dentro das instituições.

    Conhecer o perfil dos educadores em museus e, a partir disso, propor uma formação específica que a atuação em Educação Museal requer.

    Instituir capacitações com encontros e troca de experiências entre as instituições para enriquecimento das práticas de Educação Museal (articulação com as REMs).

    Investimento institucional na formação desses profissionais (custeio de cursos de extensão, participação em eventos científicos, criação de grupos de estudo de assuntos circunscritos ao âmbito de atuação e às experiências do setor dentro das instituições).

    Criação de cargos no quadro fixo das instituições para o setor educativo (permanência e vinculação do educador como funcionário da instituição) – inclusão no organograma.

    Garantir a presença de profissionais formados na equipe pedagógica da instituição, além dos estagiários.

    • Esta resposta foi modificada em 5 anos, 8 meses atrás por Rafaela Lima Rafaela Lima.
    • Esta resposta foi modificada em 5 anos, 8 meses atrás por Rafaela Lima Rafaela Lima.
    25/01/2013 em 23:20 #799
    Danielle Schutz
    Danielle Schutz
    Subscriber

    Bom dia ao grupo. Meu nome é Danielle Schütz, sou professora do curso de Conservação e Restauro de bens culturais, realizado pela Pró-reitoria de Extensão da ULBRA/Canoas no Rio Grande do Sul. Também sou autora do livro MANUAL BÁSICO DE CONSERVAÇÃO E RESTAURO (Editora da Ulbra), e com base na experiência que tenho ao ministrar o curso, percebo que há uma dificuldade significativa entre os profissionais de museologia e também dos arte-educadores com relação às posturas dentro do museu. Isso não é um fato isolado que se reflete apenas nas questões de preservação e correto trato para com as obras de arte dentro desse ambiente, acredito que trata-se de algo um pouco mais complexo com raízes mais profundas que os cursos de licenciatura não têm sanado de modo satisfatório. Percebo essa deficiência no curso de artes visuais, que não possui uma disciplina específica e nem mesmo um plano de aula capaz de dar orientações, mesmo que básicas, aos profissionais tão intimamente ligados ao contexto dos museus. Recentemente ocorreu aqui em Porto Alegre o I Salão Artístico Cultural e Científico, promovido pelo Museu Antropológico, no qual foram discutidos diversos temas, entre eles a educação nos museus e as várias formas de se promover uma melhoria da qualidade do ensino em museus e espaços culturais. Mudar o currículo obrigatório de um curso não é algo tão simples, porém investir na extensão dentro da universidade me parece uma medida eficiente, não apenas para ensinar, mas principalmente, para trocar experiências válidas capazes de trazer soluções mais palpáveis. Baseada nesse enfoque, passei a reformular meu curso de extensão, até então mais focado na conservação e restauração, e passei a dedicar mais horas/aula nas práticas educacionais relacionadas ao tema. Em relação ao enunciado deste fórum, acredito que profissionais de variadas áreas possam contribuir e acrescentar, mas tendo sempre como ponto principal as metodologias aplicáveis pelos educadores. Pensando mais especificamente no âmbito de atuação do educador, penso que um curso ou disciplina destinado a esses profissionais seja capaz de lhes oferecer uma espécie de educação básica, corretas práticas e linguagens comuns aos diferentes ambientes e às diferentes propostas de cada museu, a partir daí haveria uma necessidade de dar enfoque à formação do educador, como uma espécie de especialização dentro do museu, claro que, partindo desse principio, não se pode deixar de lado o fato de que torna-se primordial o investimento em profissionais ou instituições qualificados para oferecer esse ensino de qualidade, eu não saberia afirmar se as Redes de educadores de museu favorecem algum tipo de qualificação direcionada aos diferentes ambientes, mas vejo essa estratégia como uma solução válida, capaz de proporcionar foco aos educadores. Agradeço a oportunidade de participar do grupo, espero ter contribuído no tópico. Um grande abraço.

    29/01/2013 em 18:29 #808
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Olá, Danielle, bom vinda ao debate!

    Concordo quando você fala da mudança nos currículos dos cursos universitários como uma coisa complicada. Também completo dizendo que isso seria uma ação um tanto desarticulada, vendo possibilidades para cada curso separadamente. Também concordando com você, acho que o caminho mais profícuo seria mesmo o da criação de cursos de extensão, especialização no tema.

    Tanto as universidades quanto as próprias instituições culturais podem oferecer esses cursos, direcionando a aplicação para seu contexto específico quando fosse o caso. Realmente há uma linguagem comum aos diferentes ambientes e às diferentes propostas de cada museu, e é justamente essa linguagem que deveria estar presente na formação desses educadores que, de formações heterogêneas, dialogariam nesse ponto em comum.

    Também vejo as REMs (Redes de Educadores em Museus) como uma saída para a oferta dessa qualificação direcionada aos diferentes ambientes, mas as Redes estão desinstrumentalizadas. Eu mesma faço parte do Conselho Gestor da REMIC-DF (Rede de Educadores em Museus e Instituições Culturais do DF) e, por não termos suporte orçamentário e/ou institucional, nossas atividades minguaram ao ponto de nas últimas reuniões – faz tempo que não realizamos outras – tivemos um público ínfimo, de 3 a 5 pessoas. E o detalhe é que não vemos as pessoas querendo continuar esse trabalho.

    Talvez essas discussões nos ajudem a, articuladamente, propormos soluções capazes de agregar as pessoas e estimulá-las a participarem de maneira efetiva dessas empreitadas que surgiram e devem continuar surgindo, porque o campo não para (o que comprova a necessidade de iniciativas no setor).

    Mais uma vez obrigada pela sua participação! Transmita aos seus pares nosso convite para que eles também venham participar conosco dessa construção coletiva.

    Abraços!

    30/01/2013 em 16:17 #816

    Sou diretora do Educativo do Palácio dos Bandeirantes, minha formação é em Pedagogia o que me ajudou muito a entender a educação não formal dos museus. Tenho pensado muito em relação a falta de formação dos educadores de museu, que em sua maioria são estagiários de áreas afins com a espedificidade dos museus. Aqui no palácio temos muita dificuldade no que diz respeito a especificidade do nosso atendimento, pois somos um espaço museal dentro de um espaço público de poder. Os educadores, por não terem formação adquada tem muita dificuldade de entender as multiplas funções deste espaço e de trabalhar a despeito delas. Falta noçoes de patrimônio, de museologia, de história, de pedagogia, de psicologia, etc…. Como podemos fazer? Solicitar ao governo federal um curso técnico  para a formação de educadores de Museu? ou solicitar uma habilitação em Pedagogia de Educação Museal?

    08/02/2013 em 14:17 #855

    Bom dia, muito pertinente o comentário da Isaura.

     A importância dos estagiários nos museus é extremamente importante, entretanto são acadêmicos em processo de formação, sua estada nos espaços museais e de cultura, são para justamente ampliarem seu repertório, conhecerem as especificidades práticas e educativas ali realizadas, podem acompanhar os educadores… Os educadores de museus devem ser necessariamente profissionais com graduação completa, e que continuem seu processo formativo na pós-graduação em especializações, mestrados e assim por diante, além de participar de cursos, foruns, debates relativos à área.

    14/02/2013 em 12:38 #866
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Olá, Isaura, bom vinda ao debate!

    Acho que o problema da formação dos educadores foi muito bem colocado pela sua experiência pessoal. Realmente hoje os estagiários não são estagiários na verdadeira acepção da palavra… eles não desempenham o papel de quem está aprendendo e crescendo profissionalmente enquanto não adquirem sua formação mínima (graduação).

    Mas no seu caso e também no caso de tantos outros museus, a saída seria a realização de cursos de formação no próprio local. A vantagem é que esse tipo de oferta satisfaz muito mais as necessidades do espaço do que uma graduação com habilitação específica ou coisa do tipo. Se todos os seus estagiários ou funcionários ligados ao educativo fossem da Pedagogia, ainda assim o trabalho seria deficiente em outras áreas. A visão multidisciplinar do ponto de vista da formação desses profissionais é aessencial, mas o espaço e a sensibilidade de quem os gere e de quem trabalha com o público neles é que será o fiel da balança dos serviços educativos. Porque naquilo que a formação acadêmica “falhou”, o espaço suprirá com a prática (experiência in loco) e com cursos específicos sobre temas, dificuldades e particularidades da própria instituição.

    Vocês concordam?

    14/02/2013 em 13:10 #869
    Camila Alves
    Camila Alves
    Subscriber

    Super concordo.

    E não querendo levantar problemas, nem chorar pitangas, mas nosso problema, pelo menos aqui em Fortaleza, é o fato de, por mais que ofereçamos cursos específicos sobre educação em museus, que são maravilhosos, nosso grupo de estagiários não permanece mais de dois anos, e todo o esforço deve ser recomeçado e recomeçado e recomeçado. A estratégia que tenho desenvolvido é e oferecer esses cursos com vagas para público interessado, na última vez que fiz isso a resposta me rendeu educadores temporários para uma exposição de grande porte, daí, a garantia de que seriam educadores legais foi a presença e interesse no curso realizado meses antes da exposição.

    Existirão sempre saídas, a questão é, porque deixar um trabalho tão valioso de educar para o patrimônio de nosso país em mãos tão frágeis ainda, em pessoas que pouco tem contato com Museus e estão em processo de imersão em seus respectivos cursos de graduação? Enquanto isso, de dois e dois anos, lançamos para o nada vários profissionais com bastante sensibilidade para o trabalho em Museus.

    Alternativas, soluções, respostas mesmo, só encontraremos na sistematização desse processo. Abertura das universidades para essa discussão, seja em cursos de extensão, seja em especialização ou mesmo graduação, o fato é que já existe e há muito, um profissional com capacidade de levar adiante as demandas de um setor de educação no Museus do País, o que faremos com tanto potencial?

    17/02/2013 em 14:04 #913
    Lucio Braga
    Lucio Braga
    Subscriber

    Acredito que deve-se tomar a relação entre educadores e professores de forma dialógica, uma vez que são sujeitos aprendentes.

    É na relação dos professores com a escola e com os museus que essas experiências podem tornar-se significativas . Trata-se de revelar como se dá essa relação, quais atividades tornam vinculadas as ações educativas no museu e na escola, que práticas institucionais favorecem a troca de experiências entre professores e educadores de museus para amadurecimento do uso educativo que fazem dos museus.

    18/02/2013 em 22:27 #927
    Camila Alves
    Camila Alves
    Subscriber

    uma boa dica sobre essa discussão é o evento proposto pela Universidade Federal do Espírito Santo…

    http://portal.ufes.br/node/3361

     

    20/02/2013 em 12:48 #940
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Bom dia, pessoal!

    O que me preocupa é justamente isso, Camila: não temos profissionais (na verdadeira acepção da palavra) em educação museal e quando conseguimos formá-los, para onde os mandamos?

    Na época em que trabalhei como educadora em museus lá em Recife, primeiro como estagiária e depois como coordenadora, via as mesmas pessoas circularem entre as instituições culturais. Até hoje, conheço as pessoas que estão nos museus de lá como estagiários e como coordenadores desses setores.

    Pessoalmente, vi isso acontecer porque realmente não se sabia quem eram as pessoas com formação e perfil adequados para essa função e, uma vez que eram treinados e formados pelos cursos oferecidos nas instituições, passavem a trabalhar quase que em esquema “rotativo”: completavam o tempo (2 anos) em um museu e iam pra outro onde também conheciam essa pessoa; completados mais 2 anos, voltava àquela primeira instituição… E depois de formados, passavam pelo processo seletivo para as coordenações. Como eram “figurinhas” conhecidas, de trabalho reconhecidamente bom na área, eram selecionados. Eu mesma fui um desses casos: comecei como estagiária no IAC, fui como voluntária para o Murillo La Greca (atuando ao mesmo tempo como coordenadora e mediadora), depois fui pro MAMAM como coordenadora.

    Saí de Recife há 5 anos e conheço praticamente todo mundo que está nas coordenações das instituições culturais de maior vulto de lá… e são justamente aqueles que eram estagiários na época em que eu era coordenadora. É quase um ciclo.

    Se isso é ruim? Não sei… acho que é bom do ponto de vista da formaão e do aproveitamento dessa formação. Mas e os novos profissionais que chegam ao mercado? Quando terão oportunidade de terem também essa formação e esse “braço” do campo de trabalho para atuarem?

    É uma faca de dois gumes e merece reflexão.

    20/02/2013 em 12:53 #941
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Lúcio, concordo com você e acho que o fortalecimento tanto do papel do professor como do papel do educador em museus passa justamente pelo que você colocou: entender “como se dá essa relação, quais atividades tornam vinculadas as ações educativas no museu e na escola, que práticas institucionais favorecem a troca de experiências entre professores e educadores de museus para amadurecimento do uso educativo que fazem dos museus“. Essa é uma questão de extrema importância.

    Na sua opinião, como isso poderia acontecer? Como poderíamos explicitar a vinculação entre essas duas ações educativas (a da escola e a do museu)?

    Também aproveito para perguntar a você e a todos (estendendo também as perguntas anteriores a todo o grupo do fórum) quais são essas práticas institucionais que favorecem a troca de experiências entre professores e educadores em museus?

    20/02/2013 em 13:21 #944

    LUIZA MACEDO
    Subscriber

    Pessoal, que rica está está essa discussão!

    Então, eu trabalho em um museu de ciência e tecnologia e os desafios que enfrentamos com os educadores é bastante interessante!

    Por se tratar de uma instituição com temáticas que variam da química à história, da física à arquitetura, precisamos de mediadores de todas essas áreas, incluindo engenharia, matemática, biologia… Normalmente são profissionais que nunca imaginaram trabalhar em museus e muito menos na área educacional. Eles têm o conteúdo mas não tem a didática e nem a prática de educação não formal.

    O nosso grande desafio aqui é apresentar o museu como espaço de formação pessoal e profissional, já que sabemos que grande parte desses profissionais não irá atuar na área de museus por muito tempo, principalmente aqueles da área de engenharia. O resultado que temos obtido é que eles nos dizem terem desenvolvidos habilidades de oratória, na apresentação de projetos profissionais e acadêmicos, sua percepção social, passam a perceber seu lugar na sociedade e seu papel como cidadão.

    Além disso, os professores que nos produram têm elogiado muito, pois temos conseguido trabalhar de forma equilibrada a questão científica a que o museu se propõe devido aos conhecimentos que esses estagiários nos trazem, potencializando as visitas ao máximo.

    No entanto, é muito difícil essa situação, pois como todos sabem esse processo de formação demora umt empo considerável e além de a lei de estágio fixar apenas 02 anos de contrato, eles acabam saindo antes do término do mesmo por encontrarem estágios interessantes em sua área de trabalho.

    Acho que com essas ações estamos conseguindo atingir cursos e estudantes que não imaginavámos e esperamos, assim, chegar a atingir os respectivos cursos e universidades, mostrando a importância de se trabalhar com instituições culturais e apresentar as potencialidades profissionais das mesmas durante a trajetória acadêmica.

    20/02/2013 em 14:35 #950
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Oi, Luiza!

    Realmente acho que nesse fórum as principais “conlcusões” às quais chegamos são:

    a indispensabilidade dos cursos de formação de educadores em museus oferecidos pelas próprias instituições, porque sendo assim, eles são bem mais objetivos e direcionados ao perfil de cada uma delas.
    e a necessidade de apresentar as instituições culturais e museus como possibilidades do mercado de trabalho de todas as áreas profissionais – ouso dizer.

    A duração de 2 anos estabelecida em lei para os estágios não deve ser vista como algo ruim… é justamente isso que garante que mais estudantes passem por essa etapa de formação profissional tão importante (pelo para mim, ela foi essencial). O que é realmente ruim é não termos profissionais (pessoas com formação ao menos de graduação completa), contratados e fixos nas instituições trabalhando junto com esses estagiários. Eles é que dariam esse caráter mais estável às atividades desenvolvidas nos museus, principalmente às ações educativas, já que não seriam “voláteis” como os estagiários e viveriam a instituição com suas particularidades e cotidiano constantemente.

    Uma coisa que falei em um outro tópico acaba tendo ligação com o que você comentou da relação entre as váreas áreas e conhecimentos que a instituição em que você trabalha abarca. Cada visitante, cada grupo agendado, cada pessoa que entra na instituição cultural que trabalhamos traz um repertório pessoal e único, portanto, traz uma maneira diferente de olhar aquela instituição e o que ela oferece. Por isso também, as contribuições que cada um traz são igualmente diferentes e ricas. O papel do educador museal está justamente no aproveitamento e no diálogo que deve promover entre esses repertórios dos visitantes (agendado, espontâneo, individual ou em grupo), o repertório exposto pela instituição (nas exposições, nos discursos dos seus dirigentes, no seu acervo) e no repertório do próprio educador. É a formação diversa e multifacetada do educador que deve conferir-lhe a sensibilidade para perceber os pontos de interseção entre esses repertórios e, a partir daí, promover o diálogo entre eles. Quando esse diálogo e essa troca se efetivam, a experiência da visita torna-se única e reverbera em outros campos da vida do visitante.

    Aí eu pergunto: nossos educadores em museus têm esse perfil e sensibilidade? Eles têm criado essas pontes entre os vários repertórios para enriquecimento da visita e verdadeira fruição daquele conteúdo que estão mediando (trazendo o conceito de mediador para a discussão)?

    O que vejo é que muitas vezes o próprio repertório dos educadores em museus precisa ser trabalhado e enriquecido. Outras vezes eles ainda não têm o insight (sensibilidade e percepção), digamos assim, de aproveitar a deixa de um comentário ou dúvida de um visitante para entrar em outros assuntos abordados por aquele conteúdo que ele está mediando numa exposição, em uma oficina, em um curso ou em um evento da instituição.

    Então como esse problema/falha na formação dos educadores em museus pode ser corrigido? Na minha opinião os cursos promovidos pelas próprias instituições para a formação de educadores é um caminho viável e até agora profícuo.

    Mas não é a minha opinião que deve constar aqui, mas a de vocês. Por isso, espero as respostas de vocês, combinado? ;)

    21/02/2013 em 14:58 #964

    Olás,

    Comecei a trabalhar como educadora em museus agora e estou descobrindo um campo muito atraente. No entanto, dentro da instituição que trabalho as atribuições do setor educativo ainda estão se delineando, através de muitas discussões e conflitos. Por um lado esse fato é muito bom pela oportunidade que me está sendo oferecida de participar da construção do Plano de Ação Educativa do Museu e imergir neste assunto de uma forma bem intensa. Tenho aprendido muito nestas discussões e ter descoberto o PNEM me localizou de uma forma mais ampla neste movimento de que estou tomando pé agora. 

    A pergunta da Renata, portanto, é para mim de uma importância muito grande:  listar as atribuições do/a educador/a e dizer qual o âmbito de atuação do/a educador/a museal? 

    Porém, tivemos aqui na instituição que trabalho algumas discussões a respeito da terminologia “educador/a” e “educação” para referir-se ao trabalho de mediação com o público, tanto o escolar como outros. O termo Mediador acabou sendo eleito o mais adequado em detrimento do educador.

    Embora ache (super)necessário, não é hora de entrar no mérito da questão conceitual de educação. Mas, por acreditar nas novas possibilidades da educação, por acreditar numa nova configuração da sociedade, sinto-me como uma uma educadora sim, no sentido da troca de saberes, da valorização da experiência, e do afeto com o público na mediação com o museu, não sentindo a necessidade de abrir mão do termo, mas sim de ressignificá-lo.

    Nesse sentido, embora saiba que são “apenas” diferenças conceituais do que seja educação e de uma questão terminológica que incomoda, fico um pouco confusa sobre minha atuação e sobre a valorização desta atuação no Museu. E aí as perguntas aparentemente simples de Renata me causam mais confusão…Não sei se estou muito equivocada, mas me parece que essa resistencia ao termo gera um certo desprestígio do profissional dentro da instituição.  

    Desculpe se não estou conseguindo me expressar bem, mas é que realmente são questões muito desarrumadas na minha cabeça. Gostaria de começar com uma dúvida meio boba: os setores aducativos são para atender exclusivamente ao público escolar?   

     Acabo não vendo como escapar à discussão conceitual do que seja educação, o que gera também uma certa insegurança quanto à heterogeneidade da ação educativa em museus. Me fica uma outra dúvida: em qual medida as diferenças entre os tipos de museus interferem nas atribuições dos educadores e no âmbito de atuação dos mesmos? 

    Mais uma vez desculpa pelo atropelo de pensamentos, mas espero conseguir assentar essas dúvidas aos poucos.

    O fórum está me servindo muito para isso…

    Mariana

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