Promover a abrangência de Profissionais.

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Este tópico contém 17 respostas, 6 vozes e foi atualizado pela última vez por  bpmonteiro 5 anos, 3 meses atrás.

15 posts - 1 de 15 (de 18 do total)
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  • 27/11/2012 em 12:06 #333

    Promover a abrangência de Profissionais de educação Museal. Por exemplo: arte-educadores .

    29/11/2012 em 14:35 #421
    Ozias Soares
    Ozias Soares
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    Mara, gostaria de entender melhor o que representa a abrangência a que se refere.

    01/12/2012 em 21:57 #447

    Oi Ozias Soares! A minha referência à abrangência de profissionais nos museus é no intuito de abrir as possibilidades para os museus. Nós aqui no oeste catarinense temos o CEOM- Centro de Organização e Memória do Oeste Catarinense- este lugar trabalha com a possibilidade museal em que também se façam exposições de Artistas e outros pesquisadores.

    Penso que o Museu deve se reinventar afim de trazer para ele  mais pessoas.

    03/12/2012 em 16:57 #472
    Ozias Soares
    Ozias Soares
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    Obrigado, Mara! Entendo que alguns museus encontrem-se mais abertos que outros. Alguns até recebem exposiçoes visitantes, mas respeitando certos limites institucionais (tipo de coleção, afinidade temática, locais para realização de exposiçoes temporárias, equipe, orçamento etc.). Compreendo que precisamos, então, de um museu mais coerente com a sua função social que, imagino, deva ser um espaço para circulação de idéias, de culturas, de pessoas, de profissionais diversos. Acho que, até este momento, os Centros Culturais tem maior possibilidade do que os museus para fazer esta abrangência, não acha?

    03/12/2012 em 21:00 #484

    Sim Ozias… agora, os Centros Culturais existem menos do que os Museus, estou certa? Por isso minha proposição que os Museus abram espaços para interações com a Arte-educação. É claro que a história deve ser muito mais contemplada mas é no sentido de visualização do Museu, de trazer as pessoas para o conhecimeto do que ali existe. E é, como você diz que o Museu, no meu entendimento, deve proceder: sua função histórico-social.

    Outra questão para pensar é o registro indígena existente. Um abraço.

    14/12/2012 em 17:00 #579
    Ozias Soares
    Ozias Soares
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    Bem, Mara, essa questão de quantidade de museus e centros culturais difere de cidade pra cidade. Mas eu queria agora entender melhor a questão do registro indígena.

    15/12/2012 em 17:32 #588

    Ozias, sobre o registro indígena vejo que aqui em Santa Catarina há poucos registros- a materialidade destes- nos museus daqui.  Como moro em Chapecó que é divisa com Nonoai,RS, penso que será interessante pensarmos em locais nos museus para o registro da sua arte, artesanato, linguagem entre outros . Em Chapecó, por exemplo, graças ao primeiro juíz da cidade, Antonio Selistre de Campos, temos as urnas funerárias dos  primeiros habitantes daqui. De modo mais amplo, obviamente, poderíamos pensar em espaços nos museus para o registro da passagem indígena. E pensarmos que hoje os índios vem conquistando caminhos nas áreas da educação superior e que eles mesmos são capazes de encaminhar esse espaço.

    17/12/2012 em 18:28 #593
    Ozias Soares
    Ozias Soares
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    Mara, acho que o IPHAN pode ajudar muito neste processo. Não digo que os Museu não podem estar juntos, mas parece-me que há uma demanda para além do âmbito do Ibram neste caso. De outro lado, penso que os museus podem ser importantes instâncias de visibilidade da questão indígena, das manifestações culturais e da arte presente em diferentes grupos étnicos. Quem sabe não caberia a nós esse papel?

    17/12/2012 em 20:59 #596

    Sim Ozias. A visibilidade das manifestações indígenas é uma possibilidade que o IPHAN e os Museus podem tratar. Como sou Professora de Artes na Escola Pública e tenho duas Especializações em História vejo que a Escola- na prática!-  precisa ter opções para desenvolver com mais propriedade e diversidade o ensino-aprendizagem. Por outro lado é questão humanitária a questão indígena. E as instituições precisam propor e agir em prol dos indígenas. Até por que a cultura tecnológica e midiática já alcançou o mundo reservado deles e, em contra partida eles já vivem -e gostam- de viver como nós que nascemos na área urbana.

    18/12/2012 em 21:12 #598
    Diego Luiz Vivian
    Diego Luiz Vivian
    Subscriber

    Muito estimulante este debate sobre “questão indígena” e museus, especialmente do ponto de vista do GT Museus e Comunidades, que estou coordenando neste Blog do PNEM. E também do ponto de vista da minha formação acadêmica e do lugar onde atualmente trabalho, o Museu das Missões/Ibram, localizado em São Miguel das Missões, no RS.

    Para refletir e agir sobre esta questão da presença/ausência dos povos originários neste contexto museal específico e no âmbito da construção da memória e patrimônio nacionais, considero pertinentes as colocações do professor Dr. Jean Baptista, que produziu, em 2010, o primeiro livro publicado pelo Museu das Missões, após 70 anos de sua criação, em 1940, pelo então presidente Getulio Vargas.

    Para ilustrar a contribuição do professor sobre esta questão que envolve museus e comunidades (indígenas, no caso em foco), cito abaixo um trecho inicial de comunicação publicada nos Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011. Embora relativamente extenso, o trecho escolhido parece esclarecedor e, ao mesmo tempo, desafiador:

     

    MEMÓRIA NACIONAL E PATRIMÔNIO INDÍGENA: a inserção do protagonismo indígena no Museu das Missões e no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo a partir de políticas públicas contemporâneas

    JEAN BAPTISTA*

    Representações sobre a memória histórica compõem-se de escolhas. Em São Miguel das Missões não foi diferente. Na antiga exposição do Museu das Missões, as esculturas (entendidas por sacras) são apresentadas aos visitantes por meio de etiquetas onde se leem nomes de entidades da cristandade e pequenos painéis narrativos sobre a história da Igreja na América. Já no sítio onde estão os remanescentes arquitetônicos da missão de São Miguel, placas de identificação distribuídas pelos espaços classificam o cenário a partir de recortes de documentos gerados por funcionários de impérios europeus, dotados de uma visão econômica/ utilitarista, contra os missionais travavam a chamada Guerra Guaranítica. A memória escolhida para representar os espaços missionais, como se percebe, foi aquela que estava diretamente vinculada aos agentes ocidentais.

    Tanto por transmitir um sentido restritamente cristão a um passado histórico, no caso do Museu, quanto pelo desconforto de se ter rivais de índios descrevendo o cenário, no caso das placas no sítio, o risco que se apresenta é basicamente um: a exclusão do pensamento, da autoria e da interpretação indígena sobre seu próprio patrimônio.

    Parte dos intelectuais dedicados àquela história focou os jesuítas e os conhecimentos ocidentais injetados nas sociedades nativas. Muitos autores representaram os nativos como meros executores, convertidos, aculturados ou mestiçados, além de gerarem classificações excludentes como “missões jesuíticas”, “acervo jesuítico” ou “barroco jesuítico”. Importaram-se conceitos anacrônicos ou exógenos às sociedades indígenas, como “totalitarismo” ou “socialismo”. Chegou-se até mesmo a se dizer que quem construiu a igreja de São Miguel foi o padre Gian Battista Primoli, assim como se considerou a saída jesuítica como o fim da história das missões. Não haveria, assim, uma história indígena nas missões, mas, apenas, a história da Igreja sobrepujando as culturas nativas.

    Esta não é apenas uma condição do museu e do sítio das missões. Em verdade, retrata uma condição básica dos povos indígenas em distintas instituições onde ainda se está “longe de harmonizar o Brasil Indígena com o Brasil Colonizado”. Basicamente, um conjunto de medidas conservadoras ou desprovidas de crítica adequada ainda persistem. Contudo, recentes transformações são percebidas a partir da aplicação de políticas públicas responsáveis pela alteração da prática da pesquisa e ampliação da atuação dos espaços destinados à memória nacional.”

    http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1300580851_ARQUIVO_ANPUH2011ENVIADO.pdf

     

    19/12/2012 em 17:47 #600
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Olá, Mara e Ozias!

    Sou Rafaela Gueiros, “moderadora” dos debates dentro do fórum Profissionais de Educação Museal. Primeiramente agradeço a participação de vocês e as contribuições trazidas ao fórum.

    Em segundo lugar, gostaria de colocar algumas questões em relação ao profissional propriamente dito de Educação Museal:

    Qual formação queremos?
    Qual o perfil profissional desses trabalhadores?
    Qual o âmbito de atuação dele?

    Em relação às discussões já levantadas, gostaria de falar dos profissionais de arte/educação. Sou dessa área e direcionei minha atuação, desde a faculdade, para a educação em museus. Pelo que vivi até hoje, os museus com os quais me relacionei eram muito mais abertos aos arte/educadores e historiadores. Mas será que são somente esses profissionais os mais “adequados” à Educação Museal?

    E sobre o outro assunto levantado, visibilidade e comunicação da cultura indígena nos museus, acho profícuo o apontamento dessas questões no âmbito do blog do PNEM, mas, como o Diego colocou, tem um fórum específico sobre Museus e Comunidades, onde o debate pode tomar mais fôlego e ficar ainda mais contundente no sentido de produzir propostas para a elaboração final do PNEM. Portanto, Ozias e Mara, sintam-se convidados a colaborarem com o fórum coordenado por Diego, mas também “intimados” (rs) a continuarem debatendo as questões relativas aos profissionais da Educação Museal.

    Vamos nos debruçar sobre essas perguntas e tentar pensar nas possibilidades de ampliação da atuação e do perfil dos profissionais dessa área. O que vocês acham e como vocês se colocam em relação às perguntas que fiz?

    Abraços e boas conversas para nós!

     

    19/12/2012 em 18:46 #601

    Olá. Tenho acompanhado as discussões desde a abertura da plataforma. Gostaria de contribuir com as discussões. Quando reflito sobre a proposta do tópico “Promover a abrangência de Profissionais” e levando em conta uma série de questões que envolvem a educação não-formal (que é caso de nossa atuação nos museus), dos diferentes públicos e especificidades de área de cada instituição museológica, considero de extrema relevância a formação de equipes multidisciplinares nos setores educativos, com profissionais de diferentes áreas: História, Artes, Letras, Pedagogia, Biologia.

    21/12/2012 em 18:12 #616
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Olá, Alcione! Bem vinda ao debate!
    Concordo plenamente com você. As equipes que lidam com a Educação em Museus podem e devem ser multidisciplinares. Aliás, prefiro usar a palavra interdisciplinaridade porque ela pressupõe não apenas o diálogo entre as disciplinas/áreas de conhecimento, mas também a interação e o enriquecimento mútuos. Depois da leitura de um texto (Quatro proposições sobre memória social – Jô Gondar) passei a fazer distinção entre os termos MULTI, INTER e TRANSdisciplinaridade.

    Como dissemos anteriormente, eu e alguns dos colegas que já postaram, o trabalho do educador em museus é caracterizado pela abrangência de conhecimentos e abertura que ele deve ter para perceber e usar os saber diversos e diferentes que aparecem, seja por meio do público ou pela própria exposição/atividade desenvolvida pelo espaço em que ele trabalha. Essa pré-disposição em relação ao “desconhecido” é o pressuposto do aprendizado e do diálogo constante com o diferente, com o novo, com o que sua formação não contemplou… mas que não deixa de ser imprescindível à sua atuação.
    Espero ter instigado ainda mais as discussões e convido você a refletir sobre as questões que coloquei no post anterior para que continuemos conversando a respeito do assunto deste tópico que é a abrangência de profissionais para atuação na área educacional dos museus e instituições culturais.

    Aliás, espero não apenas a Alcione, mas todos vocês, combinado?

    Enquanto isso, assim como falei em outro tópico, também desejo a vocês BOAS FESTAS! Que tanto o Natal quanto o ano que chega nos tragam forças renovadas para prosseguirmos buscando a melhoria pessoal, profissional, financeira, afetiva e todas as outras melhorias, porque, como a própria palavra diz, nos farão melhores do que somos hoje. Forte abraço!!

    04/01/2013 em 16:52 #637

    Boa tarde e um Feliz 2013.

    Rafaela, agradeço seu comentário, muito pertinente.  Encontrei um dado que me chamou muito a atenção em 2012. Ao ler a publicação do IBRAM “Museus em Números”, me deparei no item que trata dos Recursos Humanos, da quantidade de profissionais com formação em Pedagogia trabalhando nos museus brasileiros. Trabalho como educadora de museus, no Museu de Arte de Joinville – SC e em 2012, recebemos  4 acadêmicas de Pedagogia para realizar estágio de educação não-formal. E elas ficaram encantadas, primeiro porque não sabiam do potencial das ações educativas realizadas pelos museus, foi uma ótima experiência. As questões norteadoras para a questão da abrangência de profissionais para atuar na educação dos museus são realmente complexas.

    09/01/2013 em 18:02 #694
    Rafaela Lima
    Rafaela Lima
    Subscriber

    Oi, Alcione!

    Espero que o seu final do ano e dos outros participantes deste tópico tenha sido empolgante e instigador, nos provocando a ousarmos mais em 2013 e, assim, realizarmos ainda mais coisas!

    Quanto ao nosso debate, muito obrigada pelo seu depoimento, foi exatamente isso o que quis levantar: quais os profissionais “adequados” para a Educação Museal? Serão só os arte/educadores ou os historiadores ou os pedagôgos? Para respondermos isso, devemos pensar na formação, no perfil e no âmbito de atuação desse profissional.

    Pessoalmente, acredito que para eu ter me tornado uma educadora museal, eu precisei entender o que é educação e o que é museu. Depois foi preciso entender a relação existente entre esses dois conceitos. E vejam que até agora eu só falei em conceitos e não em contextos (lugares/espaços). Uma vez que eu tenha isso entendido e internalizado enquanto profissional, posso direcionar minha atuação para o espaço em que quero trabalhar ou que eu já esteja trabalhando. Digo isso porque os museus têm várias tipologias, acervos, público alvo… Eles se diferenciam entre si por meio dessas características, assim como seus profissionais também devem se diferenciar tendo isso em vista. Este é o “contexto” ao qual me referi e é ele que deve ser usado para aplicação da relação museu-educação/educação-museu.

    Pensando nisso tudo e nas possibilidades de ampliação da atuação e do perfil dos profissionais dessa área, quais os profissionais já existentes no mercado de trabalho vocês acreditam que estejam preparados para serem educadores museais?

    Para responder a essa pergunta, tentem partir das perguntas e comentários já feitos aqui neste tópico e naquilo que falei no parágrafo anterior: a base da Educação Museal são os conceitos de educação e de museu e a relação entre eles praticada dentro de um determinado contexto (espaço/lugar).

    Aguardo as postagens com as reflexões de vocês!

    Convidem os amigos e colegas profissionais da área para o debate. Quanto mais opiniões e pontos de vista melhor!

    Abraços!

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