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benedito ramos amorim
MembroO País inteiro precisa se adequar as questões de acessibilidade. Mesmo como Gestor de dois museus sou também uma pessoa com problema de baixa visão. Eu só enxergo menos de 20% pelo olho esquerdo, o direito tive perda total. Razão pela qual posso afirmar que a maior dificuldade não é usar o computador, que eu aumento a 185%, não é ler quase cheirando a páina do livro, o difícil é a mobilidade. Andar na rua, nas calçadas, enfrentar as escadarias, os abismos que encontramos a cada instante. Isto é que desanima sair sozinho. Não me importo mais de não reconhecer as pessoas, de não ler a distância, de não enxergar o semâmaforo. Não dirijo mais há 6 anos. Sou aposentado há 12 e só continuo a trabalhar para continuar vivo. Continuo escrevendo para o jornal. Edito mensalmente um jornal chamado O PALÁCIO, cuja linha editorial privilegia obras acadêmicas de alunos e professores aliadasa História, Arquitetura, Urbanismo e preservação. O ano passado tive uma obra minha premiada. No entanto eu sei o que me custa tudo isso. Acessibilidade é também mobilidade, o direito de ir e vir sem estar atrelado a alguém.
Por isso eu vejo que muitas pessoas que perderam a visão ou mesmo que tenham baixa visão precisam antes de tudo serem encorajadas a continuar. Isto vai além de uma boa gestão museal, isto é um problema social enorme que passa despercebido, sobretudo fora dos grandes centros Rio-São Paulo.
Benedito Ramos
benedito ramos amorim
MembroO ano passado, utilizando o Prêmio de Modernização de Museu do IBRAM, conseguimos criar acessibilidade física total no Museu de Tecnologia do Século 20, onde hoje é possível até ao deficiente visual, fazer o circuito sozinho, através de piso podo táctil, tocar o acervo e ler sua contextualização em Braille e ouvir informações cronológias, sobre as principais invenções. Mas não foi uma ação fácil devido a pouca experiência do setor museal e dos fornecedores para atender as demandas. A princípio, após a reinauguração, achamos que daí por diante tudo iria fluir bem, afinal o tema havia ido para a mídia, as informações sobre o museu com acessibilidade haviam circulado, mas esse público não vem. Por que?
É onde, ao nosso entender, entra a acessibilidade social. Quantos cegos temos no Estado de Alagoas? A Associação registra pouco mais de 1.000. Mas, como vivem? Qual o acesso destas pessoas as informações? Qual o grau de dependência destes? Quantos sabem Braille? Quantos se encorajam a vir sozinhos?
Trazer o defciente visual ao convívio cultural é muito mais do que criar as bases de acessibilidade do equipamento cultural é um problema de amplas vertentes. Acreditamos que esse público precise ser resgatado e motivado a vir ao museu, não é uma coisa de esperar. E é o que estaremos fazendo este ano.
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